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REMO – TRAVESSA DO ATLÂNTICO |
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N. 922 11 de Agosto de 2002 Domingo |
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Stein
Hoff partiu de Belém rumo à Guiana Louca vida de um médico A admiração pelos navegadores portugueses foi uma das fontes de inspiração para Stein Hoff se aventurar a remos pelo Atlântico. E ontem sob o céu cinzento partiu de Belém rumo a Georgetown, na Guiana, naquela que pretende ser a primeira travessia entre o continente europeu e o americano em solitário, sem escalas nem assistência numa distância de 3700 milhas náuticas (6850 km). Nos próximos 100 dias, este médico, prestes a completar 57 anos, vai tentar ser o primeiro norueguês e o segundo mais velho homem a fazê-lo. Com
7,1 metros de comprimento por 1,9 de largura, o Star Atlantic II é,
desde ontem, o lar de Stein Hoff, um simpático norueguês que, a poucas
horas largar de Belém, ante os olhos emocionados dos familiares e
amigos, partilhou com a A BOLA a sua história a bordo do barco onde vai
tentar cumprir um dos seus sonhos: o de ser o «primeiro homem a fazer a
travessia do Atlântico mas entre continentes», pois até aqui as Ilhas
Canárias têm sido o local de eleição para as partidas.«Faço tudo isto pela aventura, pelo desafio pessoal, também pelo gosto de estar em boa forma física. Além disso, quero ser o primeiro norueguês a fazê-lo. A partida de Belém justifica-se pela minha grande admiração pelos navegadores portugueses, nomeadamente de Vasco da Gama, e largando do mesmo local que eles, sinto-me mais explorador, ou se calhar exploro-me mais a mim próprio, pois se partisse do Algarve não tinha de cruzar correntes contrárias», explicou o médico que, assim, tentará seguir os passos da esposa que, em 1999, remou durante 113 dias no Star Atlantic II mas entre Tenerife e os Barbados. Mas nem sempre a história do barco foi a mais feliz, pois também a filha mais velha do casal, Elisabeth, tentou fazer o mesmo, mas passados 10 dias enfrentou uma tempestade e a embarcação capotou, pelo que teve de ser resgatada das águas. Um susto que não sutiu efeito Porém, o susto não refreou os progenitores. «Apesar do susto quisemos continuar. Fizemos melhoramentos no barco — este é de contraplacado e fibra de vidro e muito mais sólido do que o anterior — e cá estou eu. Levo somente um telefone satélite, que nem sempre vai estar ligado pois é muito caro, e um computador para saber o que se passa no mundo.»
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